A chegada de um filhote costuma ser planejada em torno do nome, da caminha bonita e da primeira foto. O que define se os próximos meses vão ser tranquilos, porém, é menos fotogênico: rotina, paciência e algumas decisões tomadas antes mesmo de ele cruzar a porta. Este guia vale para cães e, com algumas diferenças que apontamos ao longo do texto, para gatos.
Antes de o filhote chegar
Prepare a casa como se fosse receber um bebê que anda de quatro e coloca tudo na boca. Fios elétricos, carregadores, produtos de limpeza, remédios, sacolas plásticas, plantas tóxicas (como comigo-ninguém-pode e espada-de-são-jorge) e pequenos objetos precisam sair do alcance. Em apartamento, tela de proteção nas janelas e na sacada não é opcional, especialmente para gatos.
A lista básica de compras:
- Caminha em um canto tranquilo, longe de correntes de ar e do movimento da porta.
- Potes de água e comida de tamanho adequado, de preferência de inox ou cerâmica.
- Ração específica para filhotes, do porte certo — se possível, a mesma que ele já comia.
- Brinquedos de texturas diferentes, incluindo mordedores próprios para a fase de troca de dentes.
- Tapetes higiênicos (cães) ou caixa de areia baixa e areia sem perfume (gatos).
- Coleira ou peitoral com plaquinha de identificação e uma guia leve.
- Caixa de transporte, que será usada na primeira ida ao veterinário.
Combine com todos da casa as regras antes da chegada: onde ele vai dormir, se pode subir no sofá, quem leva para passear. Mudar a regra depois que o filhote já aprendeu outra é muito mais difícil.
A primeira semana
Tudo é novo: cheiros, sons, pessoas e, no caso de quem veio de ninhada, a ausência da mãe e dos irmãos. É normal que o filhote chore à noite, coma menos nos primeiros dias ou fique escondido. Ofereça um ambiente previsível e evite apresentá-lo a muitas visitas de uma vez. Uma peça de roupa com o seu cheiro dentro da caminha ajuda. Para gatos, um cômodo pequeno, com caixa de areia, água, comida e esconderijo, funciona como "base" nos primeiros dias, antes de liberar a casa inteira.
Sono e rotina
Filhotes dormem muito — facilmente 16 a 20 horas por dia nas primeiras semanas. O sono é parte do desenvolvimento físico e do aprendizado. Evite acordá-lo para brincar e ensine às crianças que filhote dormindo não deve ser pego no colo; muitas mordidas acontecem exatamente nessa situação.
Horários fixos para comer, brincar, passear (quando liberado pelo veterinário) e dormir dão segurança ao filhote e facilitam muito o aprendizado de onde fazer xixi.
Xixi e cocô no lugar certo
Filhotes ainda não controlam bem a bexiga. A estratégia que funciona é antecipar: leve o filhote ao local escolhido logo depois de acordar, depois de comer, depois de brincar e, nas primeiras semanas, a cada uma ou duas horas. Quando ele acertar, elogie na hora e ofereça um petisco. Quando errar, limpe sem broncas — de preferência com produto enzimático, que elimina o cheiro que o atrairia de volta ao mesmo ponto. Esfregar o focinho na sujeira ou brigar depois do fato só ensina o filhote a se esconder para fazer.
Gatos costumam aprender sozinhos, desde que a caixa esteja limpa, em local tranquilo e longe da comida.
Mordidas e troca de dentes
Morder é a forma de o filhote explorar o mundo e brincar — e, entre os 3 e os 6 meses, também de aliviar o incômodo da troca de dentes. O objetivo não é proibir, e sim ensinar o que pode ser mordido. Quando os dentinhos chegarem à sua mão, interrompa a brincadeira por alguns segundos e ofereça um mordedor. Brincar com as mãos e os pés "porque é engraçado" quando ele é pequeno ensina um comportamento que deixa de ser engraçado quando ele tiver 30 quilos.
Vacinas, vermífugo e a primeira consulta
Leve o filhote ao veterinário nos primeiros dias em casa, mesmo que o criador ou o abrigo tenha informado que ele já foi vacinado. A consulta confere peso, mucosas, ouvidos, pelos e parasitas, organiza o calendário de vacinas e de vermifugação e é a hora de tirar dúvidas sobre alimentação. Leve qualquer documento que veio com o animal.
Até completar o esquema de vacinas, evite chão de lugares com grande circulação de cães desconhecidos. Isso não significa isolar o filhote: a fase dos primeiros meses é também a mais importante para a socialização, e há formas seguras de fazê-la, como explicamos no nosso guia de socialização.
Alimentação na fase de crescimento
Siga a quantidade da embalagem como ponto de partida, dividida em três ou quatro refeições, e ajuste pelo peso nas consultas. Ração de filhote tem mais energia, proteína e minerais na proporção certa para o crescimento; dar ração de adulto antes da hora, ou suplementar cálcio por conta própria, pode prejudicar o desenvolvimento dos ossos, principalmente em raças grandes. Mais detalhes no guia de alimentação.
Os primeiros aprendizados
Filhotes aprendem rápido e com sessões curtas: dois ou três minutos, algumas vezes por dia, sempre terminando em um acerto. O próprio nome, "senta" e o chamado ("vem") já podem ser treinados desde as primeiras semanas, sempre com recompensa. O passo a passo dos comandos básicos está no guia de comportamento.
Checklist dos primeiros 30 dias
- Casa protegida: fios, produtos, plantas tóxicas e janelas.
- Consulta veterinária marcada para os primeiros dias.
- Calendário de vacinas e vermífugo anotado.
- Rotina fixa de refeições, sono e idas ao "banheiro".
- Mordedores à mão para redirecionar as mordidas.
- Plano de socialização seguro, sem esperar o fim das vacinas.
- Plaquinha de identificação com o seu telefone.