Filhote em casa: o guia dos primeiros meses

Cansativo, bagunçado e decisivo. O que você faz nas primeiras semanas molda o adulto que o seu pet vai ser.

Equipe Encontro de Pets · publicado em 4 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

A chegada de um filhote costuma ser planejada em torno do nome, da caminha bonita e da primeira foto. O que define se os próximos meses vão ser tranquilos, porém, é menos fotogênico: rotina, paciência e algumas decisões tomadas antes mesmo de ele cruzar a porta. Este guia vale para cães e, com algumas diferenças que apontamos ao longo do texto, para gatos.

Antes de o filhote chegar

Prepare a casa como se fosse receber um bebê que anda de quatro e coloca tudo na boca. Fios elétricos, carregadores, produtos de limpeza, remédios, sacolas plásticas, plantas tóxicas (como comigo-ninguém-pode e espada-de-são-jorge) e pequenos objetos precisam sair do alcance. Em apartamento, tela de proteção nas janelas e na sacada não é opcional, especialmente para gatos.

A lista básica de compras:

Combine com todos da casa as regras antes da chegada: onde ele vai dormir, se pode subir no sofá, quem leva para passear. Mudar a regra depois que o filhote já aprendeu outra é muito mais difícil.

A primeira semana

Tudo é novo: cheiros, sons, pessoas e, no caso de quem veio de ninhada, a ausência da mãe e dos irmãos. É normal que o filhote chore à noite, coma menos nos primeiros dias ou fique escondido. Ofereça um ambiente previsível e evite apresentá-lo a muitas visitas de uma vez. Uma peça de roupa com o seu cheiro dentro da caminha ajuda. Para gatos, um cômodo pequeno, com caixa de areia, água, comida e esconderijo, funciona como "base" nos primeiros dias, antes de liberar a casa inteira.

Sono e rotina

Filhotes dormem muito — facilmente 16 a 20 horas por dia nas primeiras semanas. O sono é parte do desenvolvimento físico e do aprendizado. Evite acordá-lo para brincar e ensine às crianças que filhote dormindo não deve ser pego no colo; muitas mordidas acontecem exatamente nessa situação.

Horários fixos para comer, brincar, passear (quando liberado pelo veterinário) e dormir dão segurança ao filhote e facilitam muito o aprendizado de onde fazer xixi.

Xixi e cocô no lugar certo

Filhotes ainda não controlam bem a bexiga. A estratégia que funciona é antecipar: leve o filhote ao local escolhido logo depois de acordar, depois de comer, depois de brincar e, nas primeiras semanas, a cada uma ou duas horas. Quando ele acertar, elogie na hora e ofereça um petisco. Quando errar, limpe sem broncas — de preferência com produto enzimático, que elimina o cheiro que o atrairia de volta ao mesmo ponto. Esfregar o focinho na sujeira ou brigar depois do fato só ensina o filhote a se esconder para fazer.

Gatos costumam aprender sozinhos, desde que a caixa esteja limpa, em local tranquilo e longe da comida.

Mordidas e troca de dentes

Morder é a forma de o filhote explorar o mundo e brincar — e, entre os 3 e os 6 meses, também de aliviar o incômodo da troca de dentes. O objetivo não é proibir, e sim ensinar o que pode ser mordido. Quando os dentinhos chegarem à sua mão, interrompa a brincadeira por alguns segundos e ofereça um mordedor. Brincar com as mãos e os pés "porque é engraçado" quando ele é pequeno ensina um comportamento que deixa de ser engraçado quando ele tiver 30 quilos.

Vacinas, vermífugo e a primeira consulta

Leve o filhote ao veterinário nos primeiros dias em casa, mesmo que o criador ou o abrigo tenha informado que ele já foi vacinado. A consulta confere peso, mucosas, ouvidos, pelos e parasitas, organiza o calendário de vacinas e de vermifugação e é a hora de tirar dúvidas sobre alimentação. Leve qualquer documento que veio com o animal.

Até completar o esquema de vacinas, evite chão de lugares com grande circulação de cães desconhecidos. Isso não significa isolar o filhote: a fase dos primeiros meses é também a mais importante para a socialização, e há formas seguras de fazê-la, como explicamos no nosso guia de socialização.

Sinais que pedem veterinário no mesmo dia em filhotes: vômito ou diarreia repetidos (principalmente com sangue), apatia, recusa de comida por mais de 12 horas, dificuldade para respirar ou barriga inchada. Filhotes desidratam muito rápido e algumas doenças, como a parvovirose, evoluem em poucas horas.

Alimentação na fase de crescimento

Siga a quantidade da embalagem como ponto de partida, dividida em três ou quatro refeições, e ajuste pelo peso nas consultas. Ração de filhote tem mais energia, proteína e minerais na proporção certa para o crescimento; dar ração de adulto antes da hora, ou suplementar cálcio por conta própria, pode prejudicar o desenvolvimento dos ossos, principalmente em raças grandes. Mais detalhes no guia de alimentação.

Os primeiros aprendizados

Filhotes aprendem rápido e com sessões curtas: dois ou três minutos, algumas vezes por dia, sempre terminando em um acerto. O próprio nome, "senta" e o chamado ("vem") já podem ser treinados desde as primeiras semanas, sempre com recompensa. O passo a passo dos comandos básicos está no guia de comportamento.

Checklist dos primeiros 30 dias

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário. Protocolos de vacinação, vermifugação e alimentação devem ser definidos pelo profissional que acompanha o seu filhote.