Saúde preventiva: o calendário de cuidados do seu pet

Cães e gatos escondem a dor muito bem. Prevenir é a forma de chegar antes do problema.

Equipe Encontro de Pets · publicado em 4 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Para um animal que descende de caçadores e presas, mostrar fraqueza era perigoso. Esse instinto continua lá: cães e, sobretudo, gatos disfarçam dor e desconforto até o limite. Quando o tutor finalmente percebe que "tem alguma coisa errada", muitas vezes a doença já avançou. É por isso que a medicina veterinária insiste tanto em prevenção — e por isso este guia é organizado como um calendário, e não como uma lista de doenças.

A consulta de rotina

Mesmo um animal que parece perfeitamente saudável deve passar pelo veterinário pelo menos uma vez por ano. A partir da fase idosa — por volta dos 7 anos para cães grandes e dos 10 para cães pequenos e gatos — o ideal passa a ser a cada seis meses. Na consulta de rotina o profissional pesa o animal, escuta coração e pulmões, examina boca, olhos, ouvidos, pele e abdômen e decide se vale pedir exames de sangue e urina. Mudanças pequenas de um ano para o outro, como um ganho de peso ou um leve aumento de marcadores renais, são exatamente o tipo de informação que permite agir cedo.

Leve anotado o que mudou desde a última visita: apetite, sede, xixi, fezes, energia, tosse, coceira. O veterinário vê o animal por vinte minutos; você vê todos os dias.

Vacinas

O protocolo exato depende da região, do estilo de vida do animal e do histórico de vacinação, então quem define o esquema é o veterinário. Em linhas gerais, no Brasil:

Filhotes recebem uma série de doses com intervalos de três a quatro semanas, porque os anticorpos que vieram da mãe interferem nas primeiras aplicações. Até completar o esquema, o filhote não deve passear em locais onde circulam muitos cães desconhecidos. Depois, os reforços seguem o calendário definido na carteirinha. Guarde esse documento: ele é exigido em viagens, hotéis para pets, creches e eventos.

Raiva é questão de saúde pública. A vacina antirrábica protege o seu animal e as pessoas ao redor. Muitas prefeituras fazem campanhas gratuitas de vacinação — vale acompanhar o calendário da sua cidade.

Vermífugos e parasitas internos

Vermes intestinais são comuns, especialmente em filhotes, e alguns deles podem ser transmitidos para pessoas. Filhotes costumam ser vermifugados com mais frequência nos primeiros meses; adultos seguem um intervalo definido pelo veterinário, geralmente entre três e seis meses, de acordo com o risco. Animais que caçam, comem grama ou terra, convivem com crianças pequenas ou frequentam parques entram no grupo de maior risco. Exame de fezes periódico ajuda a escolher o produto certo em vez de tratar "no escuro".

Pulgas, carrapatos e mosquitos

Parasitas externos não são só incômodo. Carrapatos transmitem erliquiose e babesiose, doenças que podem destruir as plaquetas e as hemácias do cão. O mosquito-palha transmite a leishmaniose visceral, presente em várias regiões do país. Pulgas causam dermatite alérgica e transmitem um tipo de verme.

Hoje existem três formatos principais de proteção: comprimidos mastigáveis, pipetas aplicadas na pele e coleiras de liberação prolongada. Cada um cobre parasitas diferentes por períodos diferentes. Em áreas de leishmaniose, coleiras repelentes específicas ajudam a evitar a picada do mosquito. E um detalhe que salva vidas: nunca use em gatos produto feito para cães. Alguns princípios ativos seguros para cães, como a permetrina, são altamente tóxicos para felinos.

Saúde bucal

A doença periodontal é uma das condições mais frequentes em cães e gatos adultos. Começa com placa bacteriana, vira tártaro, inflama a gengiva e pode levar à perda de dentes e a infecções que afetam outros órgãos. Mau hálito persistente não é "normal de cachorro" — é um sinal. O padrão-ouro é a escovação com pasta própria para pets (a humana tem flúor e espumantes que não devem ser engolidos), idealmente todos os dias. Comece devagar, só tocando a boca e recompensando, e vá evoluindo ao longo de semanas. Quando o tártaro já está instalado, a limpeza precisa ser feita pelo veterinário, com anestesia.

Castração

Para a maioria dos cães e gatos de companhia, a castração traz mais benefícios do que riscos. Nas fêmeas, elimina o cio, previne a piometra (uma infecção grave do útero) e, quando feita cedo, reduz bastante o risco de tumores de mama. Nos machos, diminui a vontade de fugir atrás de fêmeas, as brigas e a marcação de território, além de eliminar o risco de câncer testicular. Também é a forma mais eficaz de reduzir o número de animais abandonados.

A idade ideal varia. Gatos e cães pequenos costumam ser castrados por volta dos seis meses; para raças grandes e gigantes, muitos veterinários recomendam esperar o fim do crescimento, porque os hormônios participam do fechamento das placas ósseas. Depois da cirurgia, o gasto calórico cai — ajuste a ração para evitar ganho de peso.

Sinais de alerta: veterinário no mesmo dia

O kit básico de casa

Termômetro digital (a temperatura normal de cães e gatos fica entre cerca de 38 °C e 39,2 °C), gaze, atadura, soro fisiológico, luvas, o telefone do seu veterinário e o endereço de um pronto-atendimento 24 horas. Remédio humano fica fora do kit: paracetamol e anti-inflamatórios comuns podem ser fatais para pets, especialmente para gatos.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário. Protocolos de vacinação e de controle de parasitas devem ser definidos pelo profissional que acompanha o seu animal.